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terça-feira, 23 de setembro de 2014

O papel da mulher na agricultura familiar é tema do I Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras na Paraíba









Assessoria de comunicação do Encontro
Lagoa Seca - Paraíba
22/09/2014





Valorizar e dar visibilidade ao conhecimento e as capacidades das mulheres agricultoras. | Arte: Alberto Saulo/Arquivo Asacom


Mais de 100 mulheres agricultoras de todos os estados do Semiárido se encontrarão nos dias 23 e 24 de setembro, no Convento Ipuarana, em Lagoa Seca, na Paraíba, durante o I Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras, que terá com lema: Celebrando conquistas na trajetória da ASA. A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) é uma rede que está completando 15 anos e que agrega mais de três mil organizações que trabalham para o desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida brasileira.


O objetivo do encontro é de valorizar e dar visibilidade ao conhecimento e as capacidades das mulheres agricultoras e suas formas de inserção na organização do trabalho da agricultura familiar, além de construir coletivamente caminhos para superação das situações de desigualdade. “A gente vem dar visibilidade às experiências das mulheres agricultoras que tem construído a agroecologia, que tem melhorado seus quintais, que têm também realizado conquistas como o resgate da sua autonomia enquanto mulher. Um encontro como esse vem mobilizar essas mulheres. Quando elas saem pra participar, que se encontram com outras histórias, com outras mulheres, elas voltam fortalecidas pra reassumir e reafirmar cada vez mais o seu papel”, afirma Maria Leônia, da coordenação do Polo da Borborema, da ASA Paraíba.


Nos últimos 15 anos, muitas conquistas merecem ser celebradas pelas mulheres no Semiárido. A chegada das tecnologias sociais de armazenamento de água da chuva, como as cisternas, sejam de água para beber ou para produção de alimentos. Muito além da democratização do acesso ao recurso, elas vêm permitindo a melhoria da saúde da família; a diminuição da carga de trabalho das mulheres; o aumento da disponibilidade de água no quintal e por consequência, a valorização das práticas produtivas das agricultoras, e a construção de uma nova percepção sobre seu papel e inserção técnica, social e econômica. Vem ainda favorecendo a ampliação e fortalecimento de espaços de troca de conhecimentos, a participação das mulheres em espaços coletivos e até mesmo o acesso aos mercados.


Durante os dois dias de encontro, as agricultoras irão refletir as raízes históricas dessas desigualdades, e poderão debater e construir de forma conjunta as oportunidades para a superação desse quadro. Facilitado pela peça de teatro “A vida de Margarida”, encenada pelo Grupo de Teatro Amador do Polo da Borborema, uma das dinâmicas territoriais que integra a ASA Paraíba, as mulheres serão provocadas a refletirem sobre as desigualdades das relações sociais.


Com a ajuda de maquete de um quintal montada de forma coletiva as participantes irão debater sobre as inovações e as experiências desenvolvidas a partir da criatividade de cada mulher. A partir da leitura coletiva da divisão do trabalho na propriedade e na casa, buscará dar visibilidade ao trabalho e aos conhecimentos das mulheres agricultoras. Esse momento será preparatório às visitas de intercâmbio que acontecerão no dia seguinte. As agricultoras irão visitar na prática as experiências de mulheres sistematizadas em cinco temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios e Acesso aos mercados. As visitas de intercâmbio acontecerão nos municípios paraibanos Massaranduba, Queimadas, Boqueirão, Juazeirinho e Cubati.


Ao final do Encontro, em plenária as agriculturas irão refletir o significado e o papel de cada mulher na valorização e na construção de conhecimento para convivência com o Semiárido, fortalecendo a identidade de agricultoras-experimentadoras gestoras de seus próprios conhecimentos.


Programação

23 de setembro

8h – Abertura
8h30 – Peça “A vida de Margarida”
9h30 – Debate sobre as desigualdades
12h30 – Almoço
13h30 – Caminhos de superação – divisão sexual do trabalho dentro da propriedade
15h30 – Trabalho em grupo
Temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios e Acesso aos mercados.
19h – Jantar
19h30 – Feira Guardiãs da Biodiversidade e Noite Cultural

24 de setembro

7h30 – Visitas de Intercâmbio
Temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios e Acesso aos mercados.
14h – Impressões das visitas: O que vi e o que vou levar para casa
14h30 – Qual o significado de ser Agricultora-experimentadora?

16h30 – Mística de encerramento

Carta do Encontro Nacional de Comunicação da ASA



"Por uma comunicação popular e comunitária no Semiárido"


Gravatá - PE





“Das novas antenas chegam velhas tolices...
A sabedoria ainda é transmitida de boca em boca”
- Bertold Brecht





A Articulação Semiárido Brasileiro – ASA, como um espaço de articulação política da sociedade civil organizada, nesses 15 anos de caminhada, vem contribuindo para modificar a imagem estereotipada do Semiárido - comumente associada ao gado morto e terra rachada - por uma imagem de uma região bela, forte, resiliente e cheia de potencialidades.


Essa construção só foi possível graças às experiências acumuladas na ação da rede a partir da democratização da água, do debate sobre as sementes crioulas, sobre a construção do conhecimento, valorização e empoderamento das mulheres, entre outros elementos que fortalecem a perspectiva da convivência com o Semiárido.


É inegável a importância da comunicação nesse contexto, pois ela é responsável por materializar essa imagem, fortalecendo a autoestima dos povos e populações locais, tendo como fonte de inspiração os processos de educação popular já enraizados no Semiárido e multiplicados pelo Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semiárido: P1MC e P1+2.


Para avançar no debate de que comunicação queremos para o Semiárido, a ASA tem realizado momentos de formação, reflexão e construção coletiva de processos para o fortalecimento dessa ação. Nesse sentido, a ASA reuniu comunicadores e comunicadoras populares, assessores e assessoras técnicas, assessores e assessoras pedagógicas, coordenadores e coordenadoras das ASAs estaduais e agricultores e agricultoras no Encontro Nacional de Comunicação, entre os dias 9 e 11 de setembro de 2014, em Gravatá, Pernambuco.


Nosso Encontro teve como pano de fundo a reflexão e alinhamento da rede ASA sobre a necessidade da democratização da comunicação para fortalecer a prática da comunicação popular e comunitária. Essa é a base para a política de comunicação da ASA que está em processo de construção e que se ampara nos princípios políticos que a articulação tem assumido ao longo da sua história.


Reconhecemos e valorizamos os investimentos que a ASA tem feito no sentido de fortalecer a comunicação popular e comunitária nas bases. Os encontros de comunicação, a inclusão dos comunicadores populares nas dinâmicas dos projetos, os intercâmbios, as sistematizações, as produções radiofônicas são resultados desse movimento.


Nesse encontro Nacional de Comunicação da Asa que tem como tema: “Comunicação Popular e Comunitária no Semiárido”, reafirmamos o papel dos comunicadores e comunicadoras populares de possibilitar a apropriação do direito à comunicação pelas famílias que protagonizam uma revolução silenciosa no semiárido brasileiro.


Debatemos que os grandes meios de comunicação, concentrados nas mãos de poucos, estão a serviço de um projeto político que oprime e invisibiliza os povos do semiárido. Por isso acreditamos ser importante a democratização da comunicação, para que os povos do semiárido, com o seu modo de falar, denunciem os conflitos e opressões e anunciem as belezas, culturas e histórias vivenciadas em cada canto do semiárido brasileiro. 
A partir destas reflexões, apontamos:


- A necessidade de visibilizar as experiências de comunicação existentes nas diversas comunidades onde ASA atua, para que possam ser intercambiadas e multiplicadas por todo o território Semiárido.


- O nosso desafio é ampliar a nossa participação em espaços onde essas questões são discutidas com outros coletivos e redes, a exemplo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e dos comitês estaduais, de maneira que possamos retroalimentar o debate e pautar as especificidades do Semiárido. 


- É fundamental o maior envolvimento de todos os atores – coordenação executiva estadual, coordenadores/as de projetos, mobilizadores/as, assessores/as das capacitações, pedreiros/as, coordenadores das organizações e todos/as que constroem a ASA no debate e prática da comunicação, compreendendo a centralidade desse direito humano para o acesso aos demais. Concretamente esse entendimento se reflete no fortalecimento das políticas de convivência com as quais trabalhamos e na própria incidência política da articulação na sociedade.


- Para garantir o fluxo de informação, maior compreensão dos processos da ASA e divulgação das ações, acreditamos ser fundamental o reconhecimento do comunicador e comunicadora popular como um ator que faz parte desta construção coletiva.


- As ASAs estaduais precisam incorporar e assumir o debate da comunicação de forma mais efetiva, para além dos produtos e processos operacionais. Acreditamos que a comunicação precisa ser reconhecida como elemento fundamental na garantia de outros direitos e na construção do modelo de desenvolvimento que acreditamos para o semiárido brasileiro.


A caminhada das comunidades, dos povos do semiárido, da ASA nos seus 15 anos, nos motiva e inspira a assumir politicamente a dimensão da Comunicação como um direito humano. Democratizar a comunicação é democratizar o sentido da vida, da luta e resistência das comunidades e dos povos do semiárido. Fortalecer a comunicação é fortalecer o nosso projeto Político de Convivência com o Semiárido.


Gravatá/PE, 11 de setembro de 2014.


ASA 15 ANOS 
Ampliando a Resistencia 
Fortalecendo a Convivência!!

Comunicar para visibilizar práticas emancipadoras da condição de vida no campo





Mariana Reis - Asacom

A comunicação popular e comunitária esteve no centro do debate do Encontro Nacional de Comunicação da ASA, que aconteceu de 09 a 11 de setembro em Gravatá (PE). A Prof.ª Cicilia Peruzzo, especialista no tema, participou do evento e concedeu esta entrevista a Mariana Reis, da equipe da Asacom. Cicilia é professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo e autora do livro Comunicação nos movimentos populares: a participação na construção da cidadania (Ed. Vozes).







Cicilia Peruzzo: "É preciso instituir canais de interatividade e espaço democrático de participação". | Foto: Netto Santos


A comunicação nos movimentos populares pode ser considerada um contraponto ao que é veiculado nas grandes mídias? 


Poderia ser considerada como contraponto em casos em que ela aborda um mesmo assunto, ou seja, quando este também é tratado pela grande mídia, situação em que os meios de comunicação dos movimentos populares dariam a sua versão dos acontecimentos. Dariam explicações, indicariam dados e fatos como forma de municiar a formação de opinião a partir da visão dos próprios movimentos. Pois, não raro, a grande mídia tende a interpretar realidades segundo critérios que não correspondem à realidade vivida localmente, por exemplo a do semiárido, quando se deturpam visões sobre o que acontece e por uma ótica desfavorável as organizações, movimentos populares ou aos próprios cidadãos/as. 


Mas, se tomada em seu conjunto, do meu ponto de vista, ela é mais do que um contraponto. É uma outra comunicação porque se constitui num todo em que processos, conteúdos e formas se configuram em contextos mais amplos de luta e mobilização social. Sua base está em outros emissores, outras fontes e em conteúdos tratados pela ótica dos movimentos sociais populares.


Que papel os movimentos sociais desempenharam e desempenham na história da comunicação popular no Brasil e na América Latina?


A comunicação popular, se entendida como comunicação de segmentos organizados das classes subalternas, é uma forma de expressão dos movimentos sociais populares e de suas organizações. Desse modo, quem representa algo para os movimentos sociais populares é a comunicação e não o inverso, pois ela se insere no contexto de suas manifestações para ajudar nos processos de consciência – mobilização - organização – ação. É sua alma e seu espelho. A comunicação popular é parte de um processo em que os movimentos populares sentem a necessidade de comunicar como forma de mobilização de seus públicos, bem como de obter visibilidade social confiável para suas realizações, conquistas e propósitos. 


Nos últimos anos, os movimentos sociais vêm passando por transformações. Entraram na pauta desses movimentos novas bandeiras de luta, como a agroecologia e o feminismo, por exemplo. Pode-se dizer que essas novas bandeiras influenciam na forma de comunicar as lutas? 


Sim, dependendo do lugar de onde observamos os movimentos populares, articulações, coletivos, fóruns, associações, ONGs, sindicatos etc. que se inscrevem nas lutas como a agroecologia e a do movimento de mulheres têm sido muito importantes. Existem lutas específicas em um e em outro desses universos, mas às vezes caminham juntas. Por exemplo, ao mesmo tempo em que as organizações de pequenos agricultores familiares se mobilizam para negar o uso do agrotóxico e para desenvolver o conhecimento voltado a práticas alternativas de controle de pragas e de cultivo da terra sem destruí-la, surgem demandas das mulheres inseridas nas lutas, por igualdade em relação ao homem e por seus direitos de participação e independência. 


A mulher quer participar da direção do sindicato, da associação de pequenos agricultores, da visita de intercâmbio, da gestão do fundo solidário e assim por diante. Nem sempre esses canais estão abertos, mas ela tem marcado papel de liderança. Quanto às bandeiras agroecológicas e das mulheres, apesar de não serem novas, são atuais e cada vez mais importantes, pois recolocam a relação de dignidade da pessoa com a terra, com a natureza, com o planeta, e da exigência de igualdade de direitos enquanto pessoa humana, inclusive, de poder ser protagonista de um tipo de desenvolvimento que garanta a equidade de acesso a suas benesses. 


O que caracteriza a comunicação popular hoje, no espaço rural? 


Nos setores organizados do meio rural, principalmente, aqueles voltados à agricultura familiar e a cooperativas, a comunicação popular e comunitária se caracteriza, por um lado, como mediação, como instrumento de educomunicação e/ou como facilitadora entre as práticas comunitárias mobilizadoras e a transformação das realidades, na perspectiva do interesse coletivo. Por outro lado, se presta também para dar visibilidade pública às finalidades, estratégias e práticas emancipadoras da condição de vida no campo, e a conquistar aliados e a boa vontade no conjunto da sociedade para as mudanças em curso. 


O Movimento Sem-Terra (MST) tem realizado, desde 2009, um curso de jornalismo da terra em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC). A graduação é voltada para filhos e filhas de assentados da reforma agrária e aborda conteúdos específicos das lutas do campo. Qual a importância de formar comunicadores/as populares?


Grande iniciativa porque mexe com o sistema tradicional de ensino do Brasil que, com raras exceções, está montado para formar pessoas para o mundo urbano, para o mundo competitivo, para servir ao capital e aderir ao consumo. Crianças e jovens que vão estudar nas cidades dificilmente voltam apara o campo justamente porque os atrativos do urbano superam qualquer outra possibilidade. Desse modo, mesmo a formação em Comunicação (jornalismo, publicidade, relações públicas), quando não pensada segundo a ótica da sociedade civil acaba por conduzir a visões pouco producentes para o trabalho em comunidades e em organizações populares. Portanto, iniciativas como a referida no enunciado na questão, são salutares por permitirem uma formação aderente à realidade das organizações da sociedade civil para além do grande mercado e das mídias convencionais. 


A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) está completando 15 anos e agrega, hoje, cerca de três mil organizações, entre sindicatos, igrejas, ongs. Quais os desafios do comunicar, para uma rede dessa dimensão?


Trata-se de uma questão que seria mais bem respondida por esse conjunto de organizações... Sem dúvida são muitos os desafios dada a diversidade regional e das entidades articuladas na ASA. Mas, creio que o maior desafio seria estabelecer mecanismos capazes de canalizar a participação ativa desses atores todos e também daqueles que estes representam. Então, a comunicação não seria apenas unidirecional ou emitida de um centro principal e dirigida aos seus membros, - porém, que essa parte também é necessária -, mas que instituísse canais de interatividade e para espaço democrático de participação. 
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Pai se desespera ao ver filho preso por roubo de celular em João Pessoa



Jovem foi detido após roubar celulares de passageiros de um ônibus.Pai não consegue esconder o desespero ao ver o filho algemado.
























A prisão de um jovem assaltante em João Pessoa, na Paraíba, seria apenas mais um registro policial do que acontece todo dia no país. Porém, a história ganhou um contorno dramático, porque revela a dor e o desespero dos pais ao encontrarem o único filho. 



O rapaz foi detido depois de roubar celulares de passageiros dentro de um ônibus. Ao encontrar o filho na delegacia, a mãe chora e o abraça.


Já o pai não consegue esconder o desespero ao ver o filho algemado: "Eu dei conselho a tu, cara, eu falava todo vida rapaz, seja um homem igual a teu pai é. Seu pai é um homem, pelo amor de Deus, meu filho, e aí? Meu filho, o que você diz pra mim agora? Diga, diga meu filho, diga agora. Pelo amor de Deus, Ramon, falei tanto pra tu se afastar de amizade ruim. Ramon, amizade é teu pai e tua mãe. Eu to aqui... ninguém vem atrás de tu, não, ninguém”.


Para ver o vídeo clique AQUI.


G1